segunda-feira, 23 de dezembro de 2019


O que é o amor?


Talvez o amor se mostre nos detalhes,
Nos sorrisos, nos abraços.
No cuidar, na preocupação.
Talvez o amor habite no nosso vibrar
Com a felicidade do outro,
Ou ele esteja numa simples ligação.

Talvez o amor more na saudade,
No companheirismo, no partilhar.
Na trilha sonora de uma vida.
Talvez o amor tenha forma de gente,
De lar, de lugar, de abrigo.
Tenha aroma de sorte, de desejo.

Talvez o amor seja simples e forte,
Seja encontro, disponibilidade.
Seja afeto, gratidão.
Talvez o amor nasça na incompletude,
Brote no emaranhado do tempo,
Cresça na leveza ou na intensidade.

Talvez o amor seja ouvir o silêncio,
Acalentar a dor, doer de tanto rir.
Seja coragem e medo.
Talvez o amor ensine a amar,
(Re)significar, (Re)existir.
Se descubra na própria existência.

Talvez, o amor,
Seja a potência mais sutil do universo.

                       [Maria Vanessa Morais]

sexta-feira, 22 de novembro de 2019


Mar (ta)


Você é Mar, nos seus olhos vejo imensidão de paz.
Você é o som delicado de uma tarde de verão,
Você é sorriso desenhado em nuvens,
Você é o toque quentinho de águas cristalinas,
Você é a brisa suave que toca em meu rosto,
Você é o sal que tempera os meus dias,
Você é o sol que aquece o meu coração,
Você tem gosto de sorvete no calor
Você tem cheiro de calmaria, Mar...

[Maria Vanessa Morais]

sexta-feira, 5 de julho de 2019


A menina e o espelho


Um dia conheci uma menina chamada Luz. Ela não gostava de espelhos. Luz não conseguia enxergar a sua imagem neles. Fato curioso que a deixava muito aflita e lhe causava muito sofrimento. Ela se sentia preocupada, porque todos ao seu redor conseguiam enxergar o reflexo dela, menos ela. A pequena sentia-se estranha e diferente das outras pessoas.
Será que ela era um fantasma? Ou era algum problema neurológico que teria afetado sua visão? Seus pais já estavam preocupados. Em casa a menina fugia dos espelhos ou das coisas que a pudessem refletir. Ela chorava, chorava muito. Se tornou uma garotinha muito triste. Ao lado de outra pessoa no mesmo espelho ela só enxergava a imagem do outro, nunca a dela.
As pessoas passavam por ela e diziam: “Que menina bonita”, “Seus olhos cor de mel são lindos”, “Nossa, adorei seus cachinhos”, “Olha que sorriso encantador”. Ela triste, continuava a chorar. Ela não acreditava no que as pessoas diziam, ela não conseguia se enxergar com seus próprios olhos. E de frente ao espelho ela se perguntava: “O que há de errado comigo?”
Luz estava piorando, agora não conseguia enxergar até mesmo seu reflexo interior. Ela não só era bonita por fora, Luz tinha uma beleza interior incomparável. Ela era generosa, solícita, sensível e muito forte. Todos a lembravam disso. Imersa em uma escuridão que lhe atormentava, não via sua imagem, não via seu reflexo e não conseguia mais olhar para dentro de si.
Aflitos com o sofrimento da filha, os pais resolveram procurar ajuda. Conheceram a Dra. Brilhante, uma profissional muito competente que tentaria “espelhar” a garotinha Luz, fazendo com que ela pudesse enxergar o seu reflexo, sua imagem no espelho. A Dra. Brilhante viu que levaria um tempo, a pequena sofria de “falta de autoestima”, um acontecimento que faz a pessoa deixar de se enxergar.
A Dra. Brilhante descobriu que Luz nunca teve um espelho próprio, sempre tentou olhar sua imagem nos espelhos dos outros. Sugeriu construir seu próprio espelho, com um material especial chamado “autocuidado”. Recomendou que ela parasse de se comparar com os outros no espelho, receitou momentos diários para relembrar suas conquistas e um exercício para repensar suas crenças, agradecendo os elogios dos outros, mesmo que ela ainda não conseguisse enxergar sua imagem. Deixou agendada as consultas semanais de autoconhecimento.
Com o passar do tempo Luz foi enxergando seu reflexo, uma imagem ainda embaçada e distorcida diante do espelho. Ela precisava de mais tempo para treinar o foco nos seus potenciais, para não se cobrar tanto, para enxergar quem realmente ela era. Luz demorou para cinti(lar) no seu próprio espelho. Há dias que são mais turvos, outros mais claros. Ela segue tentando se enxergar melhor e a Dra. Brilhante segue lhe ajudando.

[Maria Vanessa Morais]           

domingo, 19 de maio de 2019


EXISTÊNCIA


Hoje vi uma imagem na internet com uma frase do Guimarães Rosa que dizia: 
“viver é um rasgar-se e remendar-se.” Ao ler eu pensei: sempre!
Nossos remendos diz do nosso percurso, da nossa entrega, da nossa coragem.
Como diz uma amiga: “são tempos difíceis, nos quais o amor e a vida são para os corajosos.”
Sim, é preciso coragem para amar, para viver, para rasgar os medos, unir desejos.
Se permitir ser quem se é, dizer o que sente, se afetar.
Gritar de dor; morrer de rir; sofrer por amor; deixar ir;
Se reencontrar; se apavorar; cansar de chorar; se apaixonar;
Voltar a sorrir; se amedrontar; se encantar; se arriscar;
Pulsar; rasgar; remendar...
Rasgar-se é abertura, exposição, sentimento, paixão, encontro, possibilidades.
Remendar-se é aprendizado, amargura, sentido, compreensão, cuidado, recomeços.
A vida é uma tecitura entre retalhos e costuras...
... um entrelaçamento entre o rasgo e o remendo.
Infinitamente rasgar e remendar, rasgar e remendar.

[Maria Vanessa Morais]

quarta-feira, 15 de maio de 2019


SINESTESIA

Teu sorriso devastou meus olhos,
Quanta luz vem de você.
Quanta paz exala do teu cheiro,
Inebriou os dias como incenso.

Tua voz é melodia acústica,
Das mais belas entre Gal e Bethânia.
Teu beijo é um manjar dos deuses,
Ai de nós, meros mortais.

Tua pele é tão macia.
É como um abraço envolvente
Numa Vucana Peruana.

Tua presença despertou meus sentidos,
Bagunçou meus pensamentos,
Me fez sorrir...

[Maria Vanessa Morais]

domingo, 30 de dezembro de 2018


30 de dezembro


Hoje é meu aniversário, faço 30 anos de existência. (não tenho problema algum com minha idade. Geralmente as pessoas pensam ao contrário)
Depois de sete meses sem lançar algumas palavras no papel, hoje resolvi escrever como forma de materializar meus pensamentos, minhas reflexões, mais uma vez.
E porque não escrever hoje? Já que as palavras são meu maior presente, são presença.
Em 30 anos de existência meu maior medo continua sendo viver uma vida que não se vale a pena viver.
Amo minha família, tenho poucos e bons amigos e na caminhada que me propus a fazer tive o privilégio de encontrar muita gente boa, gente do bem. E meu coração se enche de gratidão por isso. Essa é a palavra: gratidão!
Acho que com 30 anos a gente começa a se perdoar com mais facilidade. Hoje é um dia em que peço perdão a mim mesma. Por não olhar um pouco mais pra mim; por não me permitir experienciar meus sentimentos; por sempre dizer sim pra quase tudo/todos, quando na verdade queria dizer não; por ter medo do que aquele outro iria pensar...
Ahh, bobinha... Quantas borboletas precisaram morrer pra você chegar até aqui, quantas voltas ao casulo.
Ninguém é perfeito, sei que não vou conseguir ser eu mesma em todos os momentos, mas venho lutando comigo mesmo pra isso, na tentativa de não viver esse breve espaço de tempo nessa existência material de forma infeliz e medíocre. Rindo por fora e morrendo por dentro.

Hoje recebi algumas mensagens, ri, chorei, dancei forró, assisti um filme legal, li algumas páginas do livro do Fred Elboni, dormi, cantei parabéns mentalmente e cá estou escrevendo...
Dentre algumas mensagens, uma frase em comum me chamou atenção: ”Aproveite seu dia”. Aproveitar o dia é sempre muito subjetivo, mas imagino que as pessoas desejam isso no intuito de que você passe o dia fazendo coisas que te deixem feliz... Bom, não sei se tudo que fiz no “meu dia” é aproveitável.
Aí eu penso: Do que vale a pena “aproveitar” esse dia de dezembro se não estiver aproveitando todos os outros dias?

Muita luz!

[Maria Vanessa Morais]       

domingo, 22 de abril de 2018







E o tempo?


Ele me assombra diariamente
Não pelo corpo
Não pela história
Não pelo o que ainda virá

Inquietantemente ele bate à porta
E já faz tempo
Pedindo parada
E a catraca a girar...

Areia escorrendo
Ponteiro girando
Badaladas gritando
A vida levando

A quem o pertence?
Quem segura o cronômetro?
Eu posso pausar?
Eu sou o tempo...  


[Maria Vanessa Morais]

domingo, 25 de março de 2018


ME QUERO


Quanta coisa cabe aqui.
Quantos sentimentos velados,
Morreram sem poder existir.

Mas o que é jazido,
Teima em insurgir.
Roubando meu ar.
Extinguindo minha sensatez.

Abotoando minha voz,
Coração palpitante de te(mor)
Também pulsa de desejo.

Permitir que me toques,
Um querer tão inoportuno
Seria como não suportar
Outro modo de viver.

[Maria Vanessa Morais]

domingo, 11 de março de 2018


Para uma Mulher Forte


Hoje acordei com uma nova possibilidade, com um novo olhar sobre aquilo que um dia me fez sofrer e não queria nem pensar em encarar. Não é fácil olhar para o que dói, para o que incomoda, o que te faz sofrer... Ai, ai, bendita Psicoterapia!

É, não é fácil, mas é necessário! Sabe quando você consegue enxergar os detalhes [que pareciam só detalhes], mas que iam te matando aos poucos, te diminuindo, tirando você de si mesma? É nessa hora que temos uma escolha a fazer: ficar no barco, olhando horizontes que não são seus, enquanto o sol queima suas costas, ou pegar os remos e seguir em direção contrária, admirar a beleza da vida, sentir os raios do sol tocando o seu rosto e iluminando um novo caminho...  

Não esqueça que as escolhas são sempre suas, que a vida tem pontos finais e recomeços. Uma das coisas importantes que nos foi dado é o livre arbítrio, a liberdade. Nela inclui-se a possibilidade de amar, mesmo com todas as circunstâncias gritando que não, mesmo com nossa mente fazendo vários cálculos e traçando rotas de assertividade. Não dominamos o futuro e nem podemos mudar o passado. O que passou serve de reflexão e nos permite ser alguém melhor, o futuro nos impulsiona a sonhar e a continuar em frente. Expulse o medo [ou continue caminhando mesmo com ele por perto] e se permita amar, ser amada. Essa escolha só você pode fazer, e você deve isso a si mesma.

Ninguém vai sorrir por você, ninguém vai sofrer por você. Podemos caminhar juntas, dividindo lágrimas e abraços, mas só a você cabe a responsabilidade de ser quem é, com a doçura e acidez das suas decisões...

Então, vamos lá! Pegue os remos e navegue, quando o barco começar a se mover, verás o tamanho da tua força...   

[Maria Vanessa Morais]

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Eu, somente.

 
Que amarga doce solidão.
Que me ensina a amar o sabor do não.
Que gélida ardência em meu peito.
Que me mostra agora direção.

Dentre os medos e tormentos,
Enxerguei uma lâmina afiada
Separando o querer vão
De toda consternação.

Que guardo aqui dentro
Sob mim mesma,
Caminho de aflição

Estrada que se mostra só
Apesar de ser presente
O Eu entende sua destinação.

[Maria Vanessa Morais]

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

SOBRE O AMOR


Pouquíssimas vezes me permiti escrever sobre o amor.
Não que ele não habitasse em mim.
Mas por medo de lhe dar as mãos, olhei-o sempre distante.
E continuei escrevendo sobre os medos.

Essa semana tive a última sessão do ano com minha psicóloga.
Saí de lá com uma singela e poderosa reflexão:
“É preciso deixar de ser rocha firme e passar a ser rio...”
A fluidez da vida nos coloca em movimento e nos permite o sabor da experiência.
E ela gentilmente me disse: “Se permita viver e ser rio!”

O curioso e o fascinante da vida é que não dá pra fingir que os medos e as inseguranças não existem. Eles estão sempre aqui, aí.
E a beleza está em compreender que apesar deles permanecerem, a gente também pode falar sobre amor, sobre paixão, sobre encontros.

Hoje decidi falar sobre o Amor, que pode ser configurado e reconfigurado em cada encontro. Eu não tenho uma definição própria do amor, mas o vejo como abertura, como disposição...

É deixar se encantar por sorrisos e a brisa do mar,
Abraçar a saudade, andar de mãos dadas com a presença,
Tomar café quentinho com quem te faz sentir viva,
Beijar a alma com os lábios e o coração.

Ora, o amor também é se amar e deixar-se ser amada.
É continuar apostando no caminho, apesar das pedras.
É ver nos olhos de quem te olha o brilho da admiração.
E mesmo parecendo estranho, aceitá-lo!
Você pode ser amado(a)!

Agora vejo que é tudo um grande aprendizado.
Assim como Legião Urbana diz em sua música:
“Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu”
Então esse lugar inóspito ao seu Ser, passa a ter morada.
Passamos a enxergar os lampejos de sentido para uma existência,
Que ainda não tinha se permitido sentir e escutar o Amor.

Amar é sim, ser menos rocha e mais rio. Ser mais humano!
Amar é descobrir o que é estar viva e se permitir viver.

Agora ando desconfiada...
Acho que essa semana eu cruzei com o amor.

[Maria Vanessa Morais]

sábado, 16 de dezembro de 2017

Dizer (A) deus


O que tem aí?
Queria dar uma volta...
Conhecer lugares novos.
Me disseram que daí não tem volta,
É verdade?

Aqui em baixo tá meio bagunçado,
Será que você poderia dá uma mãozinha?
Ou asas, quem sabe...
Sempre quis saber como é voar.

Me disseram que você tem barba branca.
E que castiga aqueles que ama
Me disseram também que você é
Amor (incondicional)

Eu não estava aqui quando você esteve,
Mas já faz tempo que escuto que você vai voltar
E aqui em baixo tem gente que adoraria te conhecer...

Tem gente de pele escura precisando do seu olhar,
Tem gente pesada precisando da tua leveza,
Tem criança sozinha precisando do teu aconchego,
Tem ditadores religiosos precisando dos teus preceitos,
Tem políticos precisando do teu jeito de governar,
Tem mulheres precisando que tu cesse as pedras,
Tem LGBT precisando do amor que você ensinou a dar...
... E ainda tem tantos outros...

Aí, eu estava pensando...
Se você desistiu de aparecer por aqui,
Tudo bem, eu te entendo.
Mas será que eu podia ir te visitar?

[Maria Vanessa Morais]

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

EU SINTO MUITO!


DESCULPA, EU SINTO MUITO...
TEM DIAS QUE DÓI MAIS E OUTROS MENOS
PERCEBI QUE SOU SENSÍVEL DE ALMA
E QUE ELA SE FERE COM CERTA FACILIDADE

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
AS IMPOTÊNCIAS DIÁRIAS
A PERCEPÇÃO DOS LIMITES
DIZER NÃO A SI MESMO

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
SER FORTE NA FRAQUEZA
FAZER CERTAS ESCOLHAS
DOR, CHORO E MEDO

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
OLHAR PRA MIM PRIMEIRO
ENCARAR A ANGÚSTIA
ENCONTRAR A FAMOSA FORÇA

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
QUE NÃO HÁ UMA ÚNICA POSSIBILIDADE
DE SER AMADA
DE OCUPAR ESPAÇOS

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
EM ABRAÇAR O QUE SE TORNOU MEU
PERCORRER OUTROS CAMINHOS
COMPREENDER QUE SOU HUMANA 

[Maria Vanessa Morais]

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Combustível vital


Hoje, entre um pensamento e outro, percebi que vivo soletrando para as pessoas palavras de encorajamento, escrevendo meus textos como quase uma receita para não se ter medos. Entretanto, saboreio vários deles, diariamente!

Sim! Eu posso ter medo(s). Você também pode!

Eles são sinônimo de sobre-vivência algumas vezes, outras, eles nos mostram o valor que tem em nos fazer melhor do que somos. Quando os assumimos, quando os respeitamos e os convidamos para uma boa conversa.

Hoje, já de férias, assistindo a um episódio da minha série favorita “Greys Anatomy”, Meredith Grey, diz: “Ninguém acorda pensando ‘hoje meu mundo vai explodir’, ‘meu mundo vai mudar’, ninguém pensa isso. Mas às vezes acontece. Às vezes, nós acordamos, encaramos nossos medos, seguramos a mão deles, e ficamos ali, esperando, com esperança, prontos para qualquer coisa.”

Hoje, eu acordei e encarei um grande medo. Não lutei contra ele. Só fitei-o nos olhos, respirei fundo e decidi viver, mesmo com ele lá, aqui.

Percebi que nem sempre eles somem, e que quando eles ficam é pra lembrar que a gente não precisa ser forte o tempo todo, que eles podem permanecer e ainda assim não nos paralisar...

Hoje, te digo não pra lutar contra o seu medo, te digo para tentar enxergar o para além dele.

Porque a vida é assim, um dia da coragem, o outro do medo. A força nasce quando nos (re)conhecemos...

É, Meredith, hoje meu mundo explodiu... Mas, ainda bem que acredito em Fênix.

[Maria Vanessa Morais] 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Seja inteiro, tenha medos!

A gente vive tentando se encaixar.
Nos padrões sociais, num corpo perfeito, na profissão ideal.
Buscamos a felicidade eterna e um futuro brilhante.
E estamos o tempo todo, tentando encontrar aquela nossa cara metade.
Será que ela existe?
Aliás, a pergunta deveria ser: preciso ser metade de alguém?
Não somos melhores, quando somos inteiros?

Quando nos dispomos, sem reservas, para viver aquilo que faz nosso coração pulsar,
Compreendemos que apesar do medo que nos cerca e de toda insegurança,
Seremos rodeados de momentos mágicos e felizes, simplesmente porque nos arriscamos.
A vida é, sim, um caminho cheio de grandes riscos...
Não temos garantia de nada, vivemos iminentemente com a certeza da morte,
E é exatamente ela que nos impulsiona a viver, que nos traz sentido...
Que paradoxal, o maior dos medos humanos gera e ressignifica nossos dias, nossas escolhas.

Do que você tem medo?
Eu tenho medo de ‘não SER’, de não estar completa comigo mesma, de ser metade.
Eu tenho medo de não amar, de sofrer por não arriscar, de ver o tempo passar...
Eu tenho medo de coisas mornas, de corações puramente racionais, de não ter borboletas no estômago.
Eu tenho medo de me desapaixonar pela vida, de perder meu sorriso, de não conseguir abraçar.
Eu tenho medo de não poder escolher por mim, de não saborear o caminho...
Eu tenho medo de não aproveitar cada momento com as pessoas que eu amo, por ter medo de perdê-las.
Eu tenho medo de querer garantias da vida...

Porque, se já soubéssemos o que iria acontecer, que graça teria construir e viver?

[Maria Vanessa Morais]

quinta-feira, 11 de maio de 2017


PROCURA-SE!


Quero gente! Daquelas gostosas de alma, sorridente de vida, reluzente de amor.
Quero gente! Que me queira como eu sou...
Quero gente! Que não reclame do meu peso, que me ame sem maquiagem.
Quero gente! Que respeite o meu gosto musical, que não me critique se eu não gostar do “safadão”.
Quero gente! Que converse olhando nos meus olhos e não por áudio no whatsApp.
Quero gente! Que entenda que eu não nasci para saltos e tubinhos.
Quero gente! Que não me pergunte o tempo todo se não quero alisar meu cabelo.
Quero gente! Que me abrace forte com a alma e enxergue o meu avesso.
Quero gente! Que transpire afeto e exale humanidade.
Quero gente! Que valorize os encontros e o caminho trilhado.
Pago caro!! Ofereço a minha entrega em várias parcelas de Amor... 

                                 [Maria Vanessa Morais]

sábado, 18 de março de 2017

Confissões de um ansioso


Meu corpo está todo dolorido, minha mente mais ainda... Dói, dói tudo. Por fora e por dentro.
Às vezes acho que vou perder o controle, fico esperando o dia todo uma tragédia, um telefonema me avisando da morte de alguém que amo.
Sinto um aperto no peito, um nó na garganta, vontade de chorar a todo momento, e choro... choro muito.
Fico nauseado, minha mão treme, meu coração dispara, sinto dor nas costas e fico tonto.
Eu não consigo pedir ajuda sempre, tenho medo de parecer bobo ou atrapalhar.
Fico dias e dias pensando em alguma coisa que não deveria ter feito ou ter dito pra alguém.
Em cima da hora eu desmarco os compromissos, porque acho que não vai dá certo.
Tenho vontade de ficar mais tempo sozinho.
Acordo no meio da noite vomitando meu coração pela boca, sem ar.
Parece que tudo que eu faço precisa ser melhorado, tem que está tudo perfeito...
Penso demais, arquiteto a história um milhão de vezes na minha cabeça.
Estou morrendo por dentro, mas quando alguém me pergunta eu digo que estou bem.
Meu trapézio anda sempre tenso, embora faça um esforço enorme pra deixar meu rosto sereno.
Sinto a necessidade de ser bom, de cuidar de tudo e de todos, mas não permito que ninguém cuide de mim.
Na verdade, eu só queria um abraço, daqueles bem apertados que nos faz transportar pra fora de si, aquele abraço de cuidado, que faz você querer estar ali.


Por Vanessa Morais

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Deixei de ser casulo


Nunca soube ser metade de ninguém, estranhamente eu já me reconhecia, há muito tempo, única, inteira e intensa.
Tentei me encaixar...
Nossa! Só de lembrar eu canso...
Me modelei tantas vezes, numa busca desenfreada de ser aceita como ½ do outro.
Em certos momentos eu até pensei que poderia ser uma boa atriz...
Entre tantos orgasmos de vida que fingi, apaguei e tolhi meu real desejo, tão voraz, tão pulsante, amargamente saboroso e apavorante.
Como tive vontade de mim, como almejei dar-me um abraço amigo e acolhedor...
Olhava para aquela versão fajuta, pálida e externa de um eu inventado e dizia-lhe: “sai daí, isso te machuca, essa não é você...”
Mas era mortalmente impossível sorrir para quem eu queria ser, era doloroso aceitar que todo aquele colorido queria nascer, implorava para sair de um ínfimo casulo e passar a ser borboleta.
Hoje, mais leve e decidida por mim, apaixonada pela minha versão original, consigo enxergar que o que parecia tão pesado, pode ser pluma, o que parecia tão confuso, pode ser simples.
Bastava explorar o interior, pra deixar de ser casulo.
E então, escolher por mim. 


Por Vanessa Morais

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quando a arte nos toca, quando a terapia nos salva...


Nesse Natal eu recebi um presente, fui agraciada ao assistir “Gênio Indomável”.

É, o filme é antigo, de 1997. Ai você pode perguntar... Como ela não tinha visto esse filme antes? Acreditem eu me fiz a mesma pergunta. Ainda preciso reassisti-lo algumas vezes para sanar o tempo que perdi em não parar pra ver essa obra prima e certamente a cada vez que der play, aprenderei algo novo com o filme... Assistam!!!

Na descrição do Netflix tem: “Um brilhante matemático é consumido por seus próprios demônios, e só o amor e um terapeuta incansável podem salvá-lo”.
Fui totalmente tocada pelo filme e ele me trouxe vários sentidos e significados.
É uma história de superação, de aceitação, de enfrentamento dos medos, de buscar o que faz sentido para a vida...

O que nos move? O que a gente quer de verdade?

Há um tempo embarquei numa “viagem” chamada psicoterapia – cheguei ao porto consumida pelos meus demônios – um caminho espinhoso, difícil, mas de grandes descobertas e necessário. Uma estrada com várias bifurcações, mas que não a trilhei sozinha, assim como na descrição do Netflix, eu tenho uma terapeuta incansável, que tem percorrido comigo um trecho longo do autoconhecimento, que não desistiu de mim, mesmo quando isso me pareceu uma saída, mesmo quando eu não acreditei... Ela sempre me fala de uma tal de “Força” que enxerga em mim, mesmo nos momentos bem dolorosos do percurso ela sempre diz que esta força está lá... Eu confio nela! (rsrs) Aprendi com ela e com tantos outros bons encontros que a força sempre está lá, intacta, que o desejo de mudança existe, que a transformação acontece a cada amanhecer...

Assim como "Sean" (Robin Williams) diz para "Will" (Matt Damon) em uma das cenas do filme: “Não é sua culpa” e repete veementemente, sem se cansar “não é sua culpa”, “não é sua culpa” [...] A dor de “Will” é acolhida num abraço acolhedor do terapeuta[...]. Por muitas vezes ela me fez lembrar isso, que eu não precisava sentir aquela culpa toda, porque ela não era minha, fui gentilmente acolhida. Ahh... "Sean" e suas intervenções peculiares, que salvaram o “Will”. Ela também tem as dela, tão singelas, daquelas que nos colocam pra pensar a semana inteira, que nos move e nos faz refletir, mergulhar internamente...

Como foi e é difícil tocar nas feridas, como é doloroso deixar de ser casulo e virar borboleta...

Mas cá estou, contando minha experiência para vocês, queria que soubessem que não é uma supervalorização da psicologia, mas sim um desejo de publicitar que a transformação num processo como esse é possível, que a metamorfose é real. Queria que vocês pudessem me ver internamente, meu antes e o depois. É surpreendente!  

Hoje foi a última sessão de 2016, um ano bem difícil, amargo, todavia de aprendizado, de grandes afetações. Saí de lá na certeza que mudei, que continuarei em mudança, que tomei pequenas porções de serenidade, que encontrei-me comigo e agora sigo, me permitindo abraçar quem eu sou aqui-e-agora.


Maria Vanessa Morais

domingo, 8 de maio de 2016

LUZ AZUL


Luz, o teu olhar me traz luz...
Ilumina quem eu sou,
E o desejo de ser-comigo.
Transluze meu corpo e minha alma.

Teu abraço faz meu coração falar,
Guardando em mim esse silêncio.
Que o tempo insiste em relembrar,
Toda vez que eu te vejo.

O teu sorriso lembra a beleza
E a dor das minhas memórias.
E nos meus sonhos te tenho...
Lá, onde eu posso torná-los reais.

Queria saborear a tua existência.
Com a felicidade mais plena dos meus dias.
Queria te ter no pensamento.
Sem ter toda essa tristeza.

(Vanessa Morais)