quarta-feira, 1 de novembro de 2017

EU SINTO MUITO!


DESCULPA, EU SINTO MUITO...
TEM DIAS QUE DÓI MAIS E OUTROS MENOS
PERCEBI QUE SOU SENSÍVEL DE ALMA
E QUE ELA SE FERE COM CERTA FACILIDADE

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
AS IMPOTÊNCIAS DIÁRIAS
A PERCEPÇÃO DOS LIMITES
DIZER NÃO A SI MESMO

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
SER FORTE NA FRAQUEZA
FAZER CERTAS ESCOLHAS
DOR, CHORO E MEDO

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
OLHAR PRA MIM PRIMEIRO
ENCARAR A ANGÚSTIA
ENCONTRAR A FAMOSA FORÇA

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
QUE NÃO HÁ UMA ÚNICA POSSIBILIDADE
DE SER AMADA
DE OCUPAR ESPAÇOS

DESCULPA, EU SINTO MUITO...
EM ABRAÇAR O QUE SE TORNOU MEU
PERCORRER OUTROS CAMINHOS
COMPREENDER QUE SOU HUMANA 

[Maria Vanessa Morais]

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Combustível vital


Hoje, entre um pensamento e outro, percebi que vivo soletrando para as pessoas palavras de encorajamento, escrevendo meus textos como quase uma receita para não se ter medos. Entretanto, saboreio vários deles, diariamente!

Sim! Eu posso ter medo(s). Você também pode!

Eles são sinônimo de sobre-vivência algumas vezes, outras, eles nos mostram o valor que tem em nos fazer melhor do que somos. Quando os assumimos, quando os respeitamos e os convidamos para uma boa conversa.

Hoje, já de férias, assistindo a um episódio da minha série favorita “Greys Anatomy”, Meredith Grey, diz: “Ninguém acorda pensando ‘hoje meu mundo vai explodir’, ‘meu mundo vai mudar’, ninguém pensa isso. Mas às vezes acontece. Às vezes, nós acordamos, encaramos nossos medos, seguramos a mão deles, e ficamos ali, esperando, com esperança, prontos para qualquer coisa.”

Hoje, eu acordei e encarei um grande medo. Não lutei contra ele. Só fitei-o nos olhos, respirei fundo e decidi viver, mesmo com ele lá, aqui.

Percebi que nem sempre eles somem, e que quando eles ficam é pra lembrar que a gente não precisa ser forte o tempo todo, que eles podem permanecer e ainda assim não nos paralisar...

Hoje, te digo não pra lutar contra o seu medo, te digo para tentar enxergar o para além dele.

Porque a vida é assim, um dia da coragem, o outro do medo. A força nasce quando nos (re)conhecemos...

É, Meredith, hoje meu mundo explodiu... Mas, ainda bem que acredito em Fênix.

[Maria Vanessa Morais] 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Seja inteiro, tenha medos!

A gente vive tentando se encaixar.
Nos padrões sociais, num corpo perfeito, na profissão ideal.
Buscamos a felicidade eterna e um futuro brilhante.
E estamos o tempo todo, tentando encontrar aquela nossa cara metade.
Será que ela existe?
Aliás, a pergunta deveria ser: preciso ser metade de alguém?
Não somos melhores, quando somos inteiros?

Quando nos dispomos, sem reservas, para viver aquilo que faz nosso coração pulsar,
Compreendemos que apesar do medo que nos cerca e de toda insegurança,
Seremos rodeados de momentos mágicos e felizes, simplesmente porque nos arriscamos.
A vida é, sim, um caminho cheio de grandes riscos...
Não temos garantia de nada, vivemos iminentemente com a certeza da morte,
E é exatamente ela que nos impulsiona a viver, que nos traz sentido...
Que paradoxal, o maior dos medos humanos gera e ressignifica nossos dias, nossas escolhas.

Do que você tem medo?
Eu tenho medo de ‘não SER’, de não estar completa comigo mesma, de ser metade.
Eu tenho medo de não amar, de sofrer por não arriscar, de ver o tempo passar...
Eu tenho medo de coisas mornas, de corações puramente racionais, de não ter borboletas no estômago.
Eu tenho medo de me desapaixonar pela vida, de perder meu sorriso, de não conseguir abraçar.
Eu tenho medo de não poder escolher por mim, de não saborear o caminho...
Eu tenho medo de não aproveitar cada momento com as pessoas que eu amo, por ter medo de perdê-las.
Eu tenho medo de querer garantias da vida...

Porque, se já soubéssemos o que iria acontecer, que graça teria construir e viver?

[Maria Vanessa Morais]

quinta-feira, 11 de maio de 2017


PROCURA-SE!


Quero gente! Daquelas gostosas de alma, sorridente de vida, reluzente de amor.
Quero gente! Que me queira como eu sou...
Quero gente! Que não reclame do meu peso, que me ame sem maquiagem.
Quero gente! Que respeite o meu gosto musical, que não me critique se eu não gostar do “safadão”.
Quero gente! Que converse olhando nos meus olhos e não por áudio no whatsApp.
Quero gente! Que entenda que eu não nasci para saltos e tubinhos.
Quero gente! Que não me pergunte o tempo todo se não quero alisar meu cabelo.
Quero gente! Que me abrace forte com a alma e enxergue o meu avesso.
Quero gente! Que transpire afeto e exale humanidade.
Quero gente! Que valorize os encontros e o caminho trilhado.
Pago caro!! Ofereço a minha entrega em várias parcelas de Amor... 

                                 [Maria Vanessa Morais]

sábado, 18 de março de 2017

Confissões de um ansioso


Meu corpo está todo dolorido, minha mente mais ainda... Dói, dói tudo. Por fora e por dentro.
Às vezes acho que vou perder o controle, fico esperando o dia todo uma tragédia, um telefonema me avisando da morte de alguém que amo.
Sinto um aperto no peito, um nó na garganta, vontade de chorar a todo momento, e choro... choro muito.
Fico nauseado, minha mão treme, meu coração dispara, sinto dor nas costas e fico tonto.
Eu não consigo pedir ajuda sempre, tenho medo de parecer bobo ou atrapalhar.
Fico dias e dias pensando em alguma coisa que não deveria ter feito ou ter dito pra alguém.
Em cima da hora eu desmarco os compromissos, porque acho que não vai dá certo.
Tenho vontade de ficar mais tempo sozinho.
Acordo no meio da noite vomitando meu coração pela boca, sem ar.
Parece que tudo que eu faço precisa ser melhorado, tem que está tudo perfeito...
Penso demais, arquiteto a história um milhão de vezes na minha cabeça.
Estou morrendo por dentro, mas quando alguém me pergunta eu digo que estou bem.
Meu trapézio anda sempre tenso, embora faça um esforço enorme pra deixar meu rosto sereno.
Sinto a necessidade de ser bom, de cuidar de tudo e de todos, mas não permito que ninguém cuide de mim.
Na verdade, eu só queria um abraço, daqueles bem apertados que nos faz transportar pra fora de si, aquele abraço de cuidado, que faz você querer estar ali.


Por Vanessa Morais

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Deixei de ser casulo


Nunca soube ser metade de ninguém, estranhamente eu já me reconhecia, há muito tempo, única, inteira e intensa.
Tentei me encaixar...
Nossa! Só de lembrar eu canso...
Me modelei tantas vezes, numa busca desenfreada de ser aceita como ½ do outro.
Em certos momentos eu até pensei que poderia ser uma boa atriz...
Entre tantos orgasmos de vida que fingi, apaguei e tolhi meu real desejo, tão voraz, tão pulsante, amargamente saboroso e apavorante.
Como tive vontade de mim, como almejei dar-me um abraço amigo e acolhedor...
Olhava para aquela versão fajuta, pálida e externa de um eu inventado e dizia-lhe: “sai daí, isso te machuca, essa não é você...”
Mas era mortalmente impossível sorrir para quem eu queria ser, era doloroso aceitar que todo aquele colorido queria nascer, implorava para sair de um ínfimo casulo e passar a ser borboleta.
Hoje, mais leve e decidida por mim, apaixonada pela minha versão original, consigo enxergar que o que parecia tão pesado, pode ser pluma, o que parecia tão confuso, pode ser simples.
Bastava explorar o interior, pra deixar de ser casulo.
E então, escolher por mim. 


Por Vanessa Morais

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quando a arte nos toca, quando a terapia nos salva...


Nesse Natal eu recebi um presente, fui agraciada ao assistir “Gênio Indomável”.

É, o filme é antigo, de 1997. Ai você pode perguntar... Como ela não tinha visto esse filme antes? Acreditem eu me fiz a mesma pergunta. Ainda preciso reassisti-lo algumas vezes para sanar o tempo que perdi em não parar pra ver essa obra prima e certamente a cada vez que der play, aprenderei algo novo com o filme... Assistam!!!

Na descrição do Netflix tem: “Um brilhante matemático é consumido por seus próprios demônios, e só o amor e um terapeuta incansável podem salvá-lo”.
Fui totalmente tocada pelo filme e ele me trouxe vários sentidos e significados.
É uma história de superação, de aceitação, de enfrentamento dos medos, de buscar o que faz sentido para a vida...

O que nos move? O que a gente quer de verdade?

Há um tempo embarquei numa “viagem” chamada psicoterapia – cheguei ao porto consumida pelos meus demônios – um caminho espinhoso, difícil, mas de grandes descobertas e necessário. Uma estrada com várias bifurcações, mas que não a trilhei sozinha, assim como na descrição do Netflix, eu tenho uma terapeuta incansável, que tem percorrido comigo um trecho longo do autoconhecimento, que não desistiu de mim, mesmo quando isso me pareceu uma saída, mesmo quando eu não acreditei... Ela sempre me fala de uma tal de “Força” que enxerga em mim, mesmo nos momentos bem dolorosos do percurso ela sempre diz que esta força está lá... Eu confio nela! (rsrs) Aprendi com ela e com tantos outros bons encontros que a força sempre está lá, intacta, que o desejo de mudança existe, que a transformação acontece a cada amanhecer...

Assim como "Sean" (Robin Williams) diz para "Will" (Matt Damon) em uma das cenas do filme: “Não é sua culpa” e repete veementemente, sem se cansar “não é sua culpa”, “não é sua culpa” [...] A dor de “Will” é acolhida num abraço acolhedor do terapeuta[...]. Por muitas vezes ela me fez lembrar isso, que eu não precisava sentir aquela culpa toda, porque ela não era minha, fui gentilmente acolhida. Ahh... "Sean" e suas intervenções peculiares, que salvaram o “Will”. Ela também tem as dela, tão singelas, daquelas que nos colocam pra pensar a semana inteira, que nos move e nos faz refletir, mergulhar internamente...

Como foi e é difícil tocar nas feridas, como é doloroso deixar de ser casulo e virar borboleta...

Mas cá estou, contando minha experiência para vocês, queria que soubessem que não é uma supervalorização da psicologia, mas sim um desejo de publicitar que a transformação num processo como esse é possível, que a metamorfose é real. Queria que vocês pudessem me ver internamente, meu antes e o depois. É surpreendente!  

Hoje foi a última sessão de 2016, um ano bem difícil, amargo, todavia de aprendizado, de grandes afetações. Saí de lá na certeza que mudei, que continuarei em mudança, que tomei pequenas porções de serenidade, que encontrei-me comigo e agora sigo, me permitindo abraçar quem eu sou aqui-e-agora.


Maria Vanessa Morais